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Domingo, Setembro 19, 2004
SONILÓQUIOS
SCANNERS: SUA MENTE PODE DESTRUIR!
Dia desses estava revendo um filme que me botou muito medo quando criança: Scanners (1981). Para quem viu, mas não se lembra, é o filme sobre seres especiais, os scanners, que possuem um poder extrasensorial capaz de manipular a mente dos outros. Também é conhecido pela cena que o scanner mau explode a cabeça de um bigodudo.
É uma obra esquisita, à moda do seu diretor, David Cronenberg. Para mim, o filme vale a pena pelo ator que faz o mocinho Cameron Vale, Stephen Lack. Que belo e incomum par de olhos azuis! Fazendo uma busca pela net, descubro que o hoje senhor Lack é um bem sucedido escultor e pintor, que atuou pouco, no máximo em dez filmes, dois deles com Cronenberg ¿ o outro é Gêmeos, mórbida semelhança.
Não é a melhor performance da fita, já que o vilão Darryl Revok, interpretado por Michael Ironside, é de meter medo até em Frankenstein! A cena da batalha entre Revok e Vale é um crááássico do horror sci-fi. Está em exibição no Telecine Action (NET/Sky).
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O TERMINAL
Vi, mas não gostei muito não. Vai ver eu não estava no clima certo: queria ter visto O Redentor, mas não havia horário compatível. Não tem tu, vai tatu mesmo.
Com exceção de Tom Hanks, o filme é meio assim assim...O que você vê é a história de um ser humano completamente desassistido, sem saber inglês, sem dinheiro, sem comunicação com o país de origem. E o que fazem os funcionários do aeroporto? Ficam num voyerismo sem-vergonha, vendo o coitado do Navorski se virar do jeito que pode. Só o ajudam se ele fizer algo em troca. Um horror...claro que, como é um filme do Spielberg, o mal nunca prevalece. Catherine Zeta-Jones não brilha, pois a estrela é Tom Hanks, Victor Navorski da Krakhozia. Um misto de grego, habitante dos Bálcãs, eslavo e russo. Por ele, você agüenta a fita. E só.
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FRANZ FERDINAND
Se você não ouviu o primeiro e até então único disco dos escoceses do Franz Ferdinand, faça o favor de ouvi-lo. Pelo amor dos seus filhinhos. Com seis meses de atraso descobri que é um discão; Lady Grace from London London havia em dezembro de 2003 que os caras eram bons praca. O clip de Take Me Out é uma colagem bacanésima. Lembra new wave e é bom para ouvir nesse início de primavera. O vocalista é ótimo, as guitarras são ótimas, tudo muito simples e convincente.
Ah, sim, Franz Ferdinand não é o nome do vocalista, mas o nome do arquiduque Francisco Ferdinando, do Império Austro-Húngaro, cujo assassinato em Sarajevo foi o estopim da I Guerra Mundial.
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I DON¿T WANNA GROW UP
Sempre achei que, tirando carta de motorista, ia conseguir minha alforria. Descobri que encarar o trânsito a unha é um pé no saco. Muita agressividade, falta de educação, poluição e o escambau. Sou a favor do trem bala e do teletransporte. Votem em mim! Spock para vereador.
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UM MINUTO DE SILÊNCIO
Mais um parente de Paul Ramone se foi. Um minuto de silêncio: one, two, three, four!.....
Decretado por Catarina,a Grande
2:29 PM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:
Terça-feira, Setembro 07, 2004
O DIA EM QUE TOM CRUISE VIROU BAD BOY
Colateral, o mais recente filme de Michael Mann (O Informante), é um filme perturbador. Experimente assistir junto a uma sala cheia, e verá como um bom filme consegue segurar uma platéia com maestria.
A história se desdobra em camadas, numa jornada pela noite de Los Angeles. Um taxista, Max (Jamie Foxx), prepara-se para mais uma noite de trabalho, no seu mundo particular. Dentro do carro, com os vidros fechados, somente a música e os passageiros. Tudo cronometrado, Max detém o controle do seu trabalho.
Seu caminho, porém, se cruza ao de um passageiro, Vincent (Tom Cruise), que também tem um trabalho a fazer: executar cinco pessoas numa só noite. Contudo, shit happens, e Max e Vincent entram numa roda viva contra o tempo e contra eles mesmos.
Se, por um momento o filme conta a história de Max e Vincent, por outro lado aborda outras questões: que tipo de vida escolhemos viver? Que tipo de vida vivemos de fato? Quem somos nós perante os outros e perante o espelho? Quem de fato nos conhece e quantas pessoas não fazemos questão de conhecer?
Los Angeles também é personagem do filme, à medida que os personagens a utilizam para tirar proveito das situações. Além disso, a história poderia se passar em qualquer outra grande metrópole, em que a noite é feita de luzes e submundos orquestrados pelo concreto, pelo metal e pela tecnologia.
Os diálogos, por sua vez, são outro destaque do filme. Perpassados pelo cinismo e pelo sarcasmo, dão oportunidade para o bandido dar sermão no mocinho, subordinados desconfiarem de superiores. A inversão dá a tônica ao filme, para nos perguntar: até que ponto a nossa vida vale a pena? Até que ponto a vida dos outros vale a pena?
No meio disso tudo, Tom Cruise torna-se pela primeira vez, ao menos para mim, um cara muito interessante. Não é um filme do Tom Cruise, em que Tom Cruise faz o personagem de sempre: bom moço, correto, honesto, bem apanhado. Nunca fui fã de Cruise, por achá-lo perfeito e sem graça demais. Não é que uns cabelinhos grisalhos, uma barbinha mal feita e uma cara de mau não fazem milagres? Frio, calculista, violento e sexy, Tom Cruise está estonteante, atuando na medida certa, fazendo contraponto a Max, que não também não é lá santo.
No filme, todos têm seus segredos, a cidade tem suas entranhas, e as pessoas se metamorfoseiam, emprestando máscaras e fantasias para construir suas realidades. Enquanto Max faz de seu trabalho uma ponte temporária, Vincent faz de seus crimes um serviço profissional. Quem está com a verdade? Who cares....
Decretado por Catarina,a Grande
1:10 AM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:

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