Catarinalândia


Bem-vindos ao Reino do rock'n'roll, filmes e televisão, governado por Catarina, a Grande, déspota esclarecida e benevolente!

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Sábado, Agosto 21, 2004


PAPO DE NERD

Como expliquei no breve post abaixo, passo por uma fase de aridez criativa: não chove uma idéia interessante para preencher esse blog, o blog mais sangue-azul da Blogolândia.

Também pudera: ultimamente estava às voltas com afazeres nerdísticos, como se o blog já não fosse uma nerdice por si só. Mas toda ação tem uma reação, e todo esforço bem empregado nunca é em vão (Pô, rimou!). E hoje me veio a recompensa de meses dedicados ao estudo do mais tenro inglês para fazer a bendita prova do CAE de Cambridge.

O que é o CAE? A Universidade de Cambridge é uma instituição inglesa bam bam bam, que aplica exames de qualificação em inglês. Enquanto os Estados Unidos têm o TOEFL, o Michigan, e o escambau, a Inglaterra tem Cambridge: BCE, FCE, CAE e CPE. Pra que isso? Alguns precisam de certificado para esfregar na cara do chefe e comprovar que sabem alguma coisa além de the book is on the table. Outros, fazem pelo prazer de estudar inglês e ter uma comprovação de saber falar algo mais do que the book is on the table, que é o meu caso.

Muita gente corre para fazer o TOEFL, achando que vai ser a salvação da lavoura arcaica. Quem tem inglês avançado não acha muito difícil: o que dói é o bolso. E se você não for para os States em dois anos, seu certificado expira e você joga 120 doletas no gargabe can. Já com os certificados britânicos você não tem esse problema: valem até que a sua morte o separe deles.

Quem tem nível intermediário pode prestar o FCE (First Certificate of English). Recomenda-se que você estude no Cultura Inglesa, que oferece preparação adequada para o exame, pois é bem cabeludo. Mais cabeludo que o FCE só o CAE, Certificate of Advanced English, que você pode fazer depois de terminar o avançado. Qual não foi minha alegria hoje ao saber que passei no CAE com B!

Mas você, ó, ignóbil súdito, deve estar pensando: mas B? B é aquela nota que significa: você é um bom aluno, estudioso, dedicado, pero no mucho. Gol de placa só tirando A.

Bom, B num certificado Cambridge significa entrar para o seleto grupo dos quase gênios. Sim, porque só gênios tiram A em Cambridge. E essa é a excelente notícia que fez o meu orgulho nerd inflar-se de júbilo e regozijo!! Catarina, a Grande Nerd, passa com grade B no CAE!

Therefore, pay a wood for me, crazy people! Porque modéstia is my middle name....



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quarta-feira, Agosto 11, 2004


YADA YADA YADA

I ran out of ideas!

Tecla SAP: Estou sem idéias pra nada!

Sugestões, comentários e críticas, favor deixar na caixinha. Sua opinião é muito importante para nós!

Ah, sim, para quem gosta de Seinfeld e dispõe de TV a cabo, os primeiros episódios da série estão sendo transmitidos (novamente) pela Sony. Veja também o belíssimo ensaio fotográfico dos últimos dias de filmagem de Seinfeld nesse link.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Agosto 01, 2004


KEEP ON ROCKING IN A FREE WORLD

Quem tem medo de Michael Moore?
E por que se deveria ter medo de Michael Moore?
Porque ele diz a verdade? Mas, o que é verdade?
Fahrenheit 9/11, o novo documentário do jornalista e ativista americano, é uma boa ocasião para se refletir sobre isso.

Uma das grandes mensagens desse longa é que a mídia é um poderoso instrumento político, capaz de mobilizar ou anestesiar a opinião pública conforme interesses hegemônicos. Se Bush conseguiu instalar o terror dentro das mentes americanas, Moore aposta na disseminação da verdade para acordar o público americano de seu berço esplêndido.

O mais interessante não é verificar se Moore está sendo fiel aos fatos ao desmantelar as conexões escusas entre a família Bush e a família Bin Laden, ou ao mostrar a rede de apoio de Bush semelhante a uma gangue interessada em pilhar o petróleo iraquiano. Em todos os periódicos importantes do Brasil encontramos contradições, suposições, hipóteses mal fundamentadas creditadas a Moore, sem que ninguém o acuse de picaretagem. Mais do que a verdade (esse dado surpreendentemente subjetivo e manipulável), estaria em jogo a lógica, a inteligência, o senso crítico que Moore assume ter o público americano perdido perante o terror.

Houve quem achasse por demais apelativa a cena em que Moore mostra a mãe de um soldado morto no Iraque chorando em frente à Casa Branca. Mas a intenção do diretor é desbancar a retórica furada que levou milhares de moleques americanos se lançarem contra o povo iraquiano com a convicção de que estavam levando a libertação. A idéia de que a guerra é um mal necessário se desmantela ao choro da mãe do soldado ceifado num ataque aéreo: por quê, por quê meu filho? Para muitos de nós, brazucas, não há boa justificativa para qualquer guerra, mas o que Moore afirma é que a imprensa esteve controlada pelo governo durante todo o tempo, justificando a guerra como um destino manifesto.

No documentário vemos, de um lado, Bush e sua trupe utilizando-se de evasivas, informações contraditórias e imagens censuradas como trincheiras de sua guerra em favor de negócios petrolíferos; de outro, Moore e os pacifistas armam-se contra a ignorância, fazendo de sua narrativa irônica, lógica e bem argumentada um libelo pelos valores que fazem parte do mito fundante da América: liberdade individual e democracia política (podemos nos questionar se esses valores de fato já existiram de forma absoluta).

Porém, ao mostrar as imagens chocantes de corpos mutilados pela guerra, ao desvelar a destruição num país que até tempo recente havia sido financiado pelos EUA, Michael Moore procurar sensibilizar sua audiência (em especial a americana) da realidade de uma guerra. Não custa lembrar que a Guerra do Vietnã começou a ser derrotada em casa, quando os parentes de soldados viram seus entes em dificuldades pelas imagens da TV. Moore não esconde a intenção de impedir a reeleição de Bush nem que para isso tenha de recortar e colar fatos para que caibam em sua bandeira.

Tudo isso nos faz lembrar que, à parte de todo entretenimento, toda mídia é política. À parte de toda crítica que fazem a Michael Moore, seu trabalho nos faz lembrar também que não devemos nos conformar com os nacos de informações que nos jogam todos os dias. É preciso procurar mais.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:



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