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Sábado, Junho 26, 2004
VIDA LOUCA, VIDA BREVE
Sei que gostei de um filme quando fico absorvida por ele, quando esqueço de mim e faço parte da história. E ao sair cinema, carrego o filme comigo até poder escrever ou falar sobre ele, quando finalmente posso dizer que terminei de vê-lo.
Nesse momento preciso falar de Cazuza, o filme. Até agora não sei dizer se gostei ou não da forma como Cazuza foi retratado nesse filme, mas definitivamente fiquei intrigada com o que vi.
O que me motivou a assistir ao filme do Cazuza foi o fato de ele ter sido do rock and roll, apesar de eu nunca ter sido fã dele. A imagem que tenho de Cazuza era o Exagerado, o porra-louca, o ¿aidético¿, a capa da Veja, magro, de cadeira de rodas e bandana, numa época em que a Aids era um tremendo mistério, e muitos morriam sem saber ou sem assumir.
Quando vemos uma biografia no cinema, sempre assistimos a um recorte da vida do biografado, pois é tecnicamente impossível retratar todas as facetas de uma pessoa em duas horas. Porém, o recorte escolhido pelo diretor tem a função de passar uma mensagem sobre o biografado, conferindo um sentido para vida na tela. Nada mais natural vermos o Cazuza roqueiro, encarnando sexo, drogas e rock desde o meio dos anos 70.
Por um lado, é bacana saber que o Brasil pode ver uma de suas caras nesse filme: yes, nós também temos rock! Quando um filme é feito sobre um dos nomes mais destacados do rock nacional, significa que Cazuza virou um monumento, um patrimônio. Por outro lado, a forma como a história é contada deixa algumas interrogações no ar.
O Cazuza de Daniel de Oliveira começa um tanto caricato, com diálogos em que a sua porra-louquice precisa ser comunicada a todo o momento. Parece pouco crível que alguém seja poeta 24 horas do dia, mas a própria diretora, Sandra Werneck, já ressaltou que o filme não se pretende um documentário. Ok, mesmo assim, um pouquinho de cronologia não faria mal ao filme, já que, se o tempo não pára, ele também pode ajudar a nos situar. Outra coisa é a presença de alguns personagens que, apesar de passarem boa parte do filme junto a Cazuza, mal abrem a boca, o que reforçaria o brilho da verborragia cazuziana.
A carreira com o Barão Vermelho é minimizada para dar grande espaço para as relações familiares, dado que o filme é baseado no livro da mãe de Cazuza. Mesmo assim, os pontos altos são as apresentações tanto com o grupo, como em carreira solo, pois é o único momento em que Cazuza está realmente lá cantando, por meio da performance de Daniel de Oliveira (que, do meio para o fim, tornou seu Cazuza mais consistente).
Marieta Severo e Reginaldo Faria mandam bem como os pais de Cazuza. A história não tenta explicar porque Cazuza era quem era, nem tenta fazer sentimentalismo barato com a sua relação com a mãe. Nesse sentido, a diretora fez um retrato bem delicado da sexualidade e da criatividade de Cazuza, sem apelar para temas que poderiam render algumas lágrimas, como a sua agonia e sua morte. Assim, o Cazuza que nasce desse filme não é um herói nem um maldito (o último dos poetas), mas alguém especial e até difícil aos olhos de seus amigos, parentes e fãs.
Hoje, com o uso de medicamentos que prolongam a qualidade de vida dos portadores do vírus HIV, pergunto-me o que estaria fazendo Cazuza agora, quando a geração dele tomou o poder. Provavelmente ele ainda estaria incomodando muita gente com sua anarquia e sua beleza.
Decretado por Catarina,a Grande
7:34 PM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:
Domingo, Junho 20, 2004
GOOD OLD MACCA
Com um pouquinho de atraso involuntário, faço minha homenagem ao meu primeiro e único ídolo musical, o grande, o bom e velho Paul McCartney, que completou 62 anos nessa sexta, dia 18 de junho.
Vou falar do Paul que sempre me acompanhou nesses últimos 15 anos de tietagem. Somente agora tive acesso à sua gigantesca biografia e, francamente, nunca tive muito interesse pela sua vida pessoal, pois o que sempre me interessou foi sua música.
Apesar de eu ter comprado meu primeiro disco do Paul (Tug of War) em 1989, aos 11 anos, McCartney já era freqüentador do nosso aparelho de som Polyvox desde meados dos 80, quando ele lançou um sucesso atrás do outro: Say Say Say, Ebony and Ivory, No more lonely nights, e Once upon a long ago. Não sei que força misteriosa me fez comprar um disco de 1982 como presente do Dia das Crianças de 1989, só sei que, depois daquele dia, Paul passou a ser meu grande buddy.
Cada fã faz uma imagem de seu ídolo, e a carrega para dentro de sua memória e de seu coração, realçando nela aquilo que mais lhe agrada. Para mim, o que sempre me fez sorrir ao ouvir uma música do Paul foi sua vibração leve e positiva: sua voz suave, a belíssima capacidade de criar harmonias, e de se re-inventar ao longo das décadas, com simplicidade e, ao mesmo tempo sem abandonar a sofisticação.
Da fase Wings, pontuada com maravilhosos álbuns e alguns poucos micos, vemos Paul ensolarado, viajando com sua família, e chamando a esposa para cantar. Com Venus and Mars, Wings at the Speed of Sound, Band on the Run, e London Town sentimos o ventinho da janela do ônibus de excursão que a família Wings usava para viajar. Já com Tug of War, Press to Play e Flowers in the Dirt, sintetizadores harmonizam-se com cordas e saxofones, trazendo um pouco dos anos 80 sem abandonar as lições que Paul mesmo criou.
Junto com a música, vem a imagem de bem humorada e boa gente que ele cultiva junto ao seu público e seus funcionários, como podemos ver no DVD Back in the US (2002). Não há afetação nem estrelismo, e sim uma tremenda consideração de Paul em relação aos seus fãs.
No concerto, vemos até três gerações da mesma família assistindo ao show, o que me faz pensar numa frase que o Lemmy do Motorhead: se seus pais detestam o que você ouve, é porque a música é boa. Será? Agora os adolescentes dos anos 50 e 60 são nossos pais ou até avós: será que eles não têm o direito de curtir rock? E nós, não podemos nos emocionar com os Beatles só porque são música do século passado?
Saibam, meus queridos, que já fui muito discriminada por gostar de Beatles e de Paul McCartney quando tinha entre 11 e 13 anos. A maioria dos meus colegas era bem ignorante, e qual não foi meu alívio ao perceber que, na outra escola em que fiz meu colegial, meus colegas não só gostavam de Beatles mas também tocavam na banda do colégio!
Ao assistir ao Back in the US, senti uma felicidade enorme de pertencer a uma grande congregação de fiéis à mensagem de amor que Paul McCartney vem incessante e docemente pregando há 40 anos.
Nada mais reconfortante perceber que ele é um dos quatro seres humanos que realmente fizeram a diferença na vida de milhares de pessoas somente com a força do seu trabalho e de sua brilhante inteligência.
Os outros três são John, George e Ringo.
Decretado por Catarina,a Grande
4:50 PM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:
Sexta-feira, Junho 18, 2004
GOOD OLD MACCA
Não pensem que me esqueci DELE!
Só vou demorar umas horinhas para postar uma Homenagem a ELE!
Happy Birthday, Sir Paul!
Decretado por Catarina,a Grande
11:27 PM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:
Domingo, Junho 06, 2004
I BELIEVE IN A THING CALLED LOVE II
Sim, eu já disse em posts anteriores que acreditava numa coisa chamada amor, por causa da banda Darkness. Agora, que o Dia dos Namorados se aproxima, não há como ignorar a data que faz todos os solteiros e solitários do mundo lembrarem que são sozinhos e solitários.
Mas advirto que esse post não será mais uma lamentação de como a sociedade injusta trata o solteiro, em especial a solteira , como uma excrescência, uma infeliz exceção à regra de ser feliz ao lado de alguém. Não importa quem.
Não! Já se foi o tempo em que eu passava o Dia dos Namorados fingindo que não era Dia dos Namorados, somente para esquecer o fato gritante de que eu não tinha namorado. Boo hoo...se você se sente assim, homem ou mulher, levante a cabeça! Vou ¿lhe dizer o porquê.
Assistindo ao episódio de Sex and The City, A Woman¿s right to shoes, em que Carrie Bradshaw é a todo momento alfinetada por uma amiga casada sobre como a vida de solteira é fácil e fantasiosa, pensei em como o(a) solteiro(a) é visto sempre como um negativo: o solteiro é aquele que ainda não achou seu par ideal, sua alma gêmea; é aquele que ainda não casou, e está à espera de alguém especial.
Por mais que muitos de nós achemos isso uma grande patetada, no fundo, no fundo, em algum momento caímos nessa armadilha. Como disse Bradshaw, quando alguém se casa e tem filhos, todo mundo faz festa. Mas quando você é solteira, ninguém lhe envia um cartão dizendo ¿parabéns, querida solteira, por não ter escolhido um traste para se casar¿.
Quantas não caem no conto (do vigário) de fadas de se entregarem para o primeiro príncipe encantado que vêem, e depois ficam esperando um herdeirozinho, enquanto o príncipe foge com seu cavalo branco? Sacanagem é bom, e todo mundo gosta, mas e o respeito por si próprio(a)? Será que o Dia dos Namorados deve celebrar isso?
Que tal transformar esse Dia dos Namorados numa data em que solteiros, compromissados, casados, descasados, viúvos possam se respeitar e enxergar uns aos outros com dignidade?
Que tal os casados e enamorados deixarem de olhar com pena ou desprezo aquela tia solteirona, e passarem a considerar seu modo de vida como uma escolha que tem tantas vantagens e desvantagens quanto a vida de casado?
Que tal os solteiros solitários cultivarem uma auto-estima positiva, ao invés de se lamentarem pelos cantos, suspirando e invejando?
A vida é muito maior que essa imagem de felicidade romântica que nos empurram todos os dias. Não digo que essa felicidade não exista, mas ela não pode ser o objetivo último da nossa existência.
Por isso, nesse Dia dos Namorados, congratulo a todos nós, desejando que cada qual descubra formas ricas e generosas de amor em todos os aspectos de nossas vidas!
Decretado por Catarina,a Grande
3:46 PM
Súditos que beijaram a mão da Rainha:

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