Catarinalândia

      


Bem-vindos ao Reino do rock'n'roll, filmes e televisão, governado por Catarina, a Grande, déspota esclarecida, benevolente e mais loira do que nunca!

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Domingo, Setembro 28, 2003

 
I AM BACK, CAMBADA!

Ser Rainha de vez em quando é exaustivo, mas nunca deixou de ser recompensador!

Dói-me o coração ter de me afastar por tanto tempo de meus súditos, fãs, perseguidores, ministros, assessores, baixo e alto clero...mas se é pelo bem de todos e pela manutenção desse blog, digo ao povo que vou, mas sempre volto.

Após uma grande trip pelos condados do aconchegante e fumegante noroeste paulista, resolvendo assuntos diplomáticos de interesse de Catarinalândia, nada melhor do que retornar ao meu palácio e desfrutar das benesses de um descanso merecido.

Por estar imensamente envolvida nos trâmites burocráticos de meu reino, minha já escassa criatividade foi pro brejo, e há dias ela coaxa junto aos sapinhos do lodo criativo. Razão pelo qual fico floreando minha escrita, sem nada a dizer.

Passei minha viagem com R.E.M. estalando nos ouvidos. Viajei praticamente com Mike Mills ao meu lado, meu nerd preferido. E rindo sozinha com trechos de episódios de Seinfeld na cabeça. By the way, Duquesa de Andrade, hoje assisti ao famoso episódio do Soup Nazi: NO SOUP FOR YOU!

Para não dizer que não falei de flores, confesso que andei produzindo coisas bacanas nas minhas aulas de inglês. Aproveitando uma aula sobre crítica de cinema, transformei minha tarefa numa oportunidade de analisar o último filme a que assisti na telona: Tratamento de Choque.

Compartilho com vocês minha composição nota 10, com muito orgulho e modéstia. Pay a wood!!

* * *

GOTCHA!

Would you think twice to run to the nearest cinema to see a comedy starring the stunning Jack Nicholson and the new sensation of American humor, Adam Sandler? Probably not. Especially if the plot is about modern post 09/11 rage. But once you see Anger Management, you just feel cheated.

David Busnik (Sandler) is an anxious and insecure assistant who is accused of an alleged assault on a flight attendant. The sentence is a twenty-hour anger management program lead by the heterodox psychiastrist Dr. B. (Nicholson). Instead of rage, the central issue of the plot is the absurdity of Dr. B's methods, who seems wackier than his patients. A promising idea that could guarantee cathartic laughter. But it didn't.

The lack of timing is fatal to the movie as a whole. There is a visible gap between Nicholson (too big for such a mediocre film), and an amazingly unfunny Sandler, whose main attraction always came from hysterical characters and impersonations.

Yet the massacre of excellent talents doesn't stop here. The lovely Marisa Tomei (David's girlfriend) plays once again America's sweetheart : tender and cute. Special features are also irregular an equally wasted: John Turturro, Heather Graham, and even the former Mayor of New York City, Rudolph Giuliani , all appear in a bureaucratic way, exception made for a hilarious she-male Woody Harrison.

And just because of the virtue of the actors the movie isn't a complete disaster. Among loads of confusing gags, the physical humor scores one of the few unforgettable sequences with the fight in the Budhist Monastery. There David is encouraged by Dr.B to get even with his childhood arch-enemy, now a bald converted monk.

However, Anger Management turns out to be a lukewarm and disappointing program for those who go to the theatre expecting not only a brilliant chemistry between The Shining and Mr. Deeds, but also an opportunity to laugh from one's own neuroses.

Author: Karina Kosicki Bellotti
Do NOT copy nor reproduce this piece NOT even with my permission.

* * *

Trocando em miúdos portugueses: esse filme não me desceu redondo!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sexta-feira, Setembro 19, 2003

 
TURN IT ON, PLEASE!!!!

Catarinalândia está regojizando de felicidade com a reabilitação de uma das rádios rock mais legais que já existiu ¿ a Brasil 2000 FM. Confiram o que o meu guru e mentor intelectual Kid Vinil vem fazendo na Direção Artística da Brasil. Chega de top ten, chega de jabá, chega de manézada. O lance agora é rock¿n¿roll all night and party everyday. Duuuu-vi-da?!? Olha o que andei ouvindo anteontem enquanto labutava no meu computador:

Kiss: Rock and roll radio (cover dos Ramones)
Beatles: Rocky Racoon
Kraftwerk: Anthem
Stereolab: Ping Pong
Alice in Chains: No excuses

Véio, cê tem noção?!? O mundo não está totalmente perdido....

Clique aqui para mergulhar no mais puro creammm do rock and rollll....

* * *

SEINFELD



É, cambada, virei a casaca novamente...não faz muito tempo eu achava Seinfeld insípido, incolor e inodoro. Ah, sim: Seinfeld é uma das mais populares sitcoms americanas feitas nos anos 90. Estrelada pelo comediante Jerry Seinfeld, é a famosa série sobre o nada, que ficou 9 temporadas no ar, de 1989 a 1998. a série gira em torno de quatro personagens: Jerry, Elaine (ex-namorada de Jerry), George (amigo de colégio de Jerry) e Kramer ( o vizinho malucão).

Estava eu, numa tarde de sábado de setembro bundando e assistindo à TV, quando me deparei com a maratona Seinfeld, da Sony. Em poucos minutos, lá se foram as primeiras de muitas gargalhadas que dei naquela tarde...e que repeti no domingo seguinte, e no sábado e no domingo seguintes...Não preciso dizer que fiquei viciada em Seinfeld.

Tudo bem, com uns 5 anos de atraso....mas reprises existem pra quê, oras bolas? Pra pessoas lerdas como eu, que gostam das coisas da moda quando elas estão fora de moda, só para parecer coollll....

As coisas que mais me chamaram atenção em Seinfeld foram:

1. A cara-de-pau que os quatro têm para inventar desculpas esfarrapadas. Isso porque muitas vezes eu me pego tramando desculpas esfarrapadas.
2. A capacidade de eles discutirem sobre coisas idiotas. Nesse departamento, destaque merecido para George Contanza, pela sua mão-de-vaquice, e pela sua capacidade de sabotar tudo que é prestável e legítimo na vida, incluindo ele próprio.


George Constanza (Jason Alexander)

3. A capacidade de os quatro se meterem em situações mais do que inusitadas justamente pela sua cara-de-pau e por se apegarem a coisinhas.

* * *

DEPARTURE

Queridos súditos, comunico-lhes que nessa semana parto para uma missão para os lados do noroeste paulista. Juro que volto, não se desesperem!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sexta-feira, Setembro 12, 2003

 
WHERE WERE YOU IN 9/11/01?

Sei que é meio tarde pra escrever isso, pois já são quase meia-noite do dia 12 de setembro, mas foi o único tempinho que encontrei para pensar sobre aquele fatídico dia de 11 de setembro de 2001. Onde estavam vocês, súditos queridos, nesse dia?

Eu estava na estrada, indo para um congresso em Assis, lá do outro lado do mundo. Saí junto com uma colega, que dirigia o carro, logo cedinho. Na estrada, no meio do nada, não pegava rádio. Por isso, dá-lhe Kiss! Estava na minha fase farofa e segui viagem cantando Shout to the Heart, and you¿re to blame/ You give looove a baaad naame!, do Bon Jovi, quando de repente toca o celular da minha colega.

Era minha mãe desesperada: Filha, raptaram um avião e jogaram num prédio nos Estados Unidos. Eu pensava que era o Empire State Building. Fiquei com o coração na mão: caramba, não aparecia nenhum posto de beira de estrada pra gente para e ver o acontecia! A curiosidade mórbida durou quase uma hora, até que bateu a fome e encontramos um restaurante.

Restaurante ordinário, com comida se-si-sérvi fria. Lembro-me até hoje do gosto do macarrão com atum gelado que eu tentava mastigar quando, de repente, eu vi aquela cena do primeiro avião se espatifando contra uma das torres do WTC. Poucas vezes uma imagem me encheu de tanta tristeza. Não consegui pensar em terroristas ou em o que quer que fosse. Pensava na agonia das pessoas que morreram sem saber, que de repente estavam ali, e depois não estavam mais. Mais triste fiquei com a reação de indiferença de algumas pessoas ao meu redor. Aquela torcida desgraçada de bem, isso é pros Estados Unidos verem o que é bom pra tosse. Eu não pensei em Estados Unidos, eu pensei em pessoas morrendo estupidamente.

Depois de engolir a seco aquele massacre, voltei à estrada, e quatro horas depois chegávamos ao hotel. Mesmo antes de nos instalar direito, liguei a TV. Over and over and over again, aparecia a imagem da segunda torre sendo atingida, e depois as duas torres caindo, uma após a outra. A curiosidade transformou-se em uma impotência mórbida, um pesar sem tamanho, participar daquela carnificina como mera audiência.

Quando uma coisa dessas acontece, é como se o tempo parasse, se a respiração ficasse suspensa. A vida dá uma trégua, e entra o horror para desorganizar nosso cotidiano ordinário. Assistir pela TV não me fez mais passiva, porque eu me revoltei, eu senti nojo de uma humanidade que permite esse tipo de idéia: pegar um avião e jogar contra um prédio gigantesco. Eu compartilhei da dor, ainda que não tenha perdido ninguém, senti que perdi minha inocência, meu senso de ordem, de equilíbrio.

Mais desgostosa fiquei quando, ao chegar ao congresso, na área de humanas, não ouvi um pio, nem uma manifestação de consideração, nem um minuto de silêncio. O mundo estava pegando fogo, mas dentro daquela sala de convenções, nada abalava o programa estabelecido. Mais uma vez fiquei triste quando uma pessoa pegou uma foto de um executivo coberto de poeira olhando para cima e disse: provavelmente este é um executivo que deve estar pensando que perdeu um negócio. E comparou com fotos de Kabul, em que as pessoas estavam perdendo tudo.

Caramba, como se pode medir a dor? Até que ponto nossos preconceitos não nos impedem que nos coloquemos na pele de outros seres que sofrem, a fim de superar a tirania do nosso próprio umbigo?

Podem falar que no Brasil temos um WTC por dia, que não é preciso caminhar muito para ver o que é verdadeiramente hardcore. Não nego nossa condição miserável. Mas queria registrar minhas memórias de um evento que ficou mundial, e que ficou marcado na memória de muitos.

Peace.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:



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