Catarinalândia


Bem-vindos ao Reino do rock'n'roll, filmes e televisão, governado por Catarina, a Grande, déspota esclarecida e benevolente!

CATARINA DISCO CLUB NOW PLAYING:

The Cure

REINOS ALIADOS:

*CATARINALÂNDIA - VERSÃO ANTIGA
* LIFE GOES ON
* WHIPLASH! - Rock e Metal
* KIBE LOCO
*TERAPIA COLETIVA*
* BLOG'N'ROLL
* BLACK JACK BLOG
* CATARRO VERDE

CONTATO

PRINCIPAL

ARQUIVOS

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006


END

I think I've reached that point
where every word that you write
of every blood dark sea
and every soul black night
and every dream you dream me in
and every perfect free from sin
and burning eyes
and hearts on fire
are just the same old song


Queridos súditos,

Acho que já é hora de admitir o que está na cara: esse reino blogueiro sangue-azul está com o prazo de validade vencido.
A minha tese, a falta de criatividade e de saco para escrever esvaziaram esse reino de idéias pululantes e fresquinhas, ui!
Tenho certeza de que um dia ainda retorno como filha pródiga a essa Blogosfera, para reconquistar meus fiéis súditos e para desafogar a cabeça de tantas bobagens.
Por hora, agradeço ao meu fiel súdito, o único e exclusivo leitor Joe Bass, a quem devo a honra de me inspirar a entrar nessa brincadeira. Agradeço a quem estiver lendo isso agora e a quem passou por aqui um dia. Os textos ficarão por aqui até o Blogger deixar. Como historiadora, preservo o passado para os curiosos de plantão.
Termino com os versos de Robert Smith, em música do disco Wish (1992), End. Nessa época, ele estava a fim de acabar com o Cure, estava de saco cheio de escrever sempre a mesma coisa. É mais ou menos a sensação que tenho ao olhar para o blog.
Mas assim como Cure, o Jason e o Freddy Krueger, que sabe um dia eu também volto?
Até lá, meu muito obrigada e ...

Hasta la vista, baby!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sábado, Junho 17, 2006


CATARINALÂNDIA DE LUTO

Morreu Bussunda.

O que perde a Humanidade quando um humorista morre?

Sinto morre um pouco do nosso riso, num país como o nosso, em que roubam o nosso sorriso aos poucos, a todo momento.

Por isso defendo que aqueles que nos fazem rir deveriam ser eternos, ganhar passe livre pra qualquer encarnação, ter imunidade vitalícia. Deveriam ficar sempre ativos, mostrando-nos que, apesar de tudo, há uma esperança. Vale a pena viver, nem que seja por um parco riso no fim do dia.

Nunca perdi um Casseta & Planeta, mesmo quando eu achava o programa sem graça, cheio de piadas fracas. Assistia ao Casseta quando ainda era Dóris para Maiores. Só não pude ver o que os cassetas aprontaram com o mar de lama que soterrou esse Brasilzão de meu Deus no segundo semestre do ano, por razões que explico em posts anteriores (é só rolar a barrinha à sua direita, caro súdito). Mas sempre que pude, estive lá, em frente à TV, toda terça-feira, pra ver o Lula, o Ronaldo, o Marrentinho Carioca em diálogos e posições deliciosamente comprometedores.

O humor sempre foi uma peça-chave na minha vida. Por um breve período no tempo (e ainda bem, que foi breve) eu quis ser comediante também; eu queria reproduzir aquilo que tanto admirava. Graças a Deus e à Clio, não cometi esse disparate, pois como humorista sou uma ótima historiadora.

O fascínio vinha da capacidade dessas pessoas em olhar as coisas de uma forma única. Para mim, os comediantes sempre foram gigantes, daqueles de desarmar exércitos com uma piada; de expor ao ridículo aqueles ¿que se acham¿; de inverter situações e fazer acreditar, num espaço de um esquete, que outra realidade é possível. Mais louca, mais desvairada, mais besteirol, mais mais. Há que considere o humor um gênero menor, um ópio, um alienante. Mas nada mais redentor que soltar uma bela gargalhada pra enfrentar a morte, o escárnio, o desprezo, a humilhação, a vida louca vida que temos.


A comédia é vida, e nela nos encontramos humanos e heróis, graças a pessoas como Bussunda.

R.I.P.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Segunda-feira, Abril 17, 2006


PAPERBACK WRITER

É com muita alegria que convido vocês, queridos súditos, para o lançamento do MEU LIVRO!



Local: Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - UNICAMP
Data: 18 de abril de 2006
Horário: 18h00

Leiam também a entrevista que eu dei pro Jornal da UNICAMP - chique!!! - clique aqui.

Agora só falta plantar uma árvore e ter um filho....



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Fevereiro 26, 2006


AUSTIN CITY UNLIMITED, R.E.M., AND LOTS OF MEMORIES

Minha jornada em Austin-TX acabou há um mês, mas minhas atualizações do blog acabaram-se muito antes. Acho que esse esgotamento acontece com muito blogueiro após um tempo. Mas acredito também que eu deixei o blog às moscas porque certas coisas deixaram de ser novidade. Uma das razões que me fizeram abrir um blog e continuar atualizando foi a vontade de apontar as novidades, ou um jeito novo (pra mim) de ver as coisas.

Quando ganhei minha bolsa para os EUA, pensei: vai ter atualização quase todo dia! Só vai ter coisa nova pra ver...e é verdade. Mas não contava com a falta de tempo para sentar e escrever, nem pra mim mesma. Preferi registrar tudo em fotos, para não esquecer os momentos maravilhosos dessa cidade excepcional que é Austin. Outro fator importante para ter me feito praticamente abandonar o blog foi que gostei tanto de Austin, que acabei me transformando numa Austinite, numa cidadã da capital do Texas. Ainda que cada dia me trouxesse um céu lindo e um sem número de novos aprendizados, eu fui me harmonizando cada vez mais com Austin, com a Universidade do Texas e com tudo o que existe de bom e de ruim com essa cidade.



Na mala trouxe quilos de material de pesquisa, algumas lembrancinhas Longhorn, canequinhas com chifrinhos de boi, camisetas da UT, e memórias, vocabulários, sons, e ícones do cotidiano americano. Trago meu sotaque quase texano e minha admiração por todas as lendas e histórias sobre o Texas, mesmo sabendo que todas as identidades culturais são construídas. Trago meu apreço pela cordialidade e pela educação com que fui recebida e tratada, seja em ônibus, supermercados ou conferências. Trago uma imensa gratidão por inúmeras pessoas que me ajudaram e que mostraram que ninguém vive sozinho.



Trago um pedaço de Austin cada vez que ouço The Outsiders, do R.E.M., música que eu ouvia quase religiosamente quando voltava pra casa, no cair da tarde, passando de shuttle pelo Capital State of Texas, pelo prédio do Frost Bank, pela Torre da UT, pela 6th, pelo Whole Foods. Não nos esqueçamos que o R.E.M. também é do sul, de Athens-Geórgia, e que the Outsiders cita Martin Luther King Jr no seu último sermão, em que diz não ter medo pois havia subido na montanha e visto a glória de Deus.

Trago outro pedaço quando ouço Red Sector A, Dreamline, Subdivisions do Rush quando pegava o city bus da rota 21 ou da rota 22 pra ir pra UT ou voltar pra casa. Trago o sol do Texas and its big skies, e todas as caminhadas na quilométrica avenida Guadalupe (que se pronuncia guuuadalup). Trago todos os papos que puxei com estranhos que viraram conhecidos, vizinhos e colegas; trago o canto medonho dos grackles e os pulinhos dos esquilos; trago a brisa que a fonte na frente da LBJ Museum trazia todo dia na hora do almoço. Trago o chapéu de caubói, o Bob Bullock Museum, que tinha uma grande estrela solitária na sua frente, no cruzamento da Martin Luther King Jr e da Congress avenue. Trago a visão dos homens de costeleta e bigodão que andavam de chapéu e calça jeans.



Trago o verde, o vermelho e o laranja das árvores de Austin, que se desnudavam a cada dia à medida que o inverno avançava. Trago os variados gostos de café que eu bebia aos baldes, com cream, canela, chocolate em pó e stevia, no Java City ao lado da Perry Castañeda Library, no Java City perto do Texas Union, no Matisse do Dobie Mall ou no Einstein Bros. Bagels. Trago minhas luvinhas pretas, que andaram comigo praticamente todos os dias do outono e inverno, ainda que não fizesse tanto frio assim. Trago a KLBJ ¿ Austin¿s Classic Rock, e todos os 80 canais a cabo a que tinha disposição de graça. As previsões do tempo que traziam até a contagem dos alérgenos no ar e a evolução da temperatura ao longo do dia; a Fox News, the King of the Hill, luta livre, filme mudo todo domingo à noite na TCM (Turner Classic Movies), Netflix, Três Patetas, The 700 club, Joel Osteen, Bibleman, The Colbert Report, os comerciais engraçadinhos da Geico; também trago tudo, mas ainda tem mais espaço.




Trago na memória digestiva os veggieburgers, o breakfast tacos, enchilladas de frango, a lazanha de tofu da Bethany, o peru com molho de cranberry do Thanksgiving, os cookies de Natal, panquecas e waffles com xarope de mapple, o pão tostado com peanut butter and jelly (não me admira minhas calças não me servirem mais...). Trago a generosidade daqueles que me pagaram almoço no Red Lobster, no Lubys e no Rubys. Trago o agradecimento pela Bethany ter me levado pra provar a comida sulista do restaurante onde a Janis Joplin se lançou, o Threadgill¿s, e por ter andado comigo pra lá e pra cá, com toda paciência e gentileza, mostrando-me a cidade que nunca parece ter descanso. Trago o agradecimento à Carla e ao Leonardo, por tudo o que fizeram e pelo sotaque gaúcho com que me presentearam após seis meses de convivência.

Trago os calinhos das minhas andanças pela UT, onde, de tanto me perder, acabei ganhando um bronze debaixo de um calor de 40 graus. Trago muitas histórias engraçadas de desencontros e de encontros, coincidências e God-incidences. Lições de vida e amizades que torço para durem pra sempre. Trago a sensação de liberdade e de ser uma só com as ruas largas e os prédios gigantescos, cada qual trazendo um chifrinho, um longhorn, para me fazer lembrar que eu também sou de Touro. Everything is bigger in Texas, e o meu coração ficou as big as Texas.




É necessário saber partir, e não estou suspirando pelos cantos por todas essas memórias. Na verdade, eu estava era doida pra voltar, pra completar minhas tarefas no Brasil, comer arroz e feijão, dormir na minha cama. É certo que a minha cidade aqui não é tão bonita quanto a beleza cinematográfica de Austin, nem tão limpa, nem tão bem cuidada, ou querida. Só gostaria que aqui fosse um pouquinho melhor, um pouquinho mais bonito, mais ordenado, menos avacalhado, menos triste e sofrido, menos caro, mais próspero pra mais gente. Queria também que Austin fosse aqui do lado, para eu poder sempre matar as saudades dos amigos e dos lugares.


Se esse é o fim do blog, eu não sei. Só sei que eu precisava fechar essa página oficialmente, dizer à Blogolândia que there¿s no place like home. E que home is where the heart is.

See y'all!




Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Janeiro 08, 2006


HOOK'EM HORNS!

O time de futebol americano da UT ganhou o campeonato nacional - e a torre da universidade fica iluminada de laranja (a cor oficial do time), com as janelas escrevendo o numero 1. Bacana, nao? POis uma galera imensa estava como eu esperando o entardecer para tirar um foto da torre! Hook'em Horns!





Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Dezembro 18, 2005


HAPPY HOLIDAYS!

Ho Ho Ho! Adivinha quem chegou pra alegrar a festa?

Sim, desculpem-me pela sumida temporária, mas o trampo estava intenso...e a diversão, quando dava idem ibidem.

Agora é época de festas, o que nos Estados Unidos significa uma gastança desenfreada. Obviamente, para mim a coisa é diferente pois não nasci com um green card colado na testa. Não adianta fazer listinha de papai Noel pra mim...sorry, man!

Enquanto o Velho Batuta não desce a chaminé, eu lhes dou um apanhado do que aprontei por aqui. Já que o assunto é festa, comecemos pelas duas excursões em que participei, patrocinadas pela Universidade do Texas.

* Natural Bridge Caverns ¿ Gruene ¿ San Marcos

Em outubro finalmente eu saía de Austin para explorar as redondezas do Texas. O International Office patrocinou uma viagem de um dia para visitar umas cavernas descobertas em meados do século XX, almoçar na cidade histórica de Gruene e fazer compras nos outlets de San Marcos.

Esse tipo de excursão parece conferência da ONU: tem gente de várias partes do mundo. Nessa viagem eu encontrei uma brasileira, uma russa que havia morado cinco anos no Rio de Janeiro (muito, muito simpática, e ficou muito contente em rever gente do Brasil), um indiano que ama o futebol brasileiro...isso só para ficar no Brasil! Os indianos são gente muito boa, simples, bem humorados, bem relax.

A visita às cavernas são foi aquela coisa, pois eu não tenho alma de exploradora. Valeu a experiência, assim como valeu ter parado para comer em Gruene (e passar mais de uma hora esperando a comida sair) e passar o resto do dia perambulando pelas lojas de San Marcos. Imagine um grande shopping center. Multiplique por três. Esse é o espaço que as lojas de San Marcos ocupam, pois afinal, tudo é maior no Texas (everything is bigger in Texas). São lojas que vendem mercadorias por um preço mais barato, usadas ou não. Muita coisa made in China, ou de segunda-mão, ou simplesmente mais barata. O paraíso das compras.

* NASA

Já em novembro eu fui para a tão famigerada NASA. Não foi tão divertida quanto a viagem descrita acima, pois havia mais gente (quando o grupo é maior a tendência é dispersar) e, sinceramente, eu não sou louca por esse lance de foguetes e corrida espacial. A viagem é cansativa, se você for de busão. Primeiro, porque busão nos Estados Unidos é padrão Cometão flecha azul (no offense, só estou sendo realística). Segundo porque são QUATRO horas dentro de um Cometão flecha azul. Ao chegarmos, passamos quatro horas dentro da NASA num sábado à tarde. Filas, filas, e filas para ver uma exposição meio sem graça de uns foguetes aqui e ali, sala de controle da Apolo 13, o interior de um foguete, mais uma variedade de brinquedos e mini-exposições. Tentar comprar alguma coisa na loja de souvenires foi um parto, de tão lotado de gente. Sem contar que os preços são bem inflacionados, afinal de contas, é a NASA. Mais quatro horas de cometão e no fim do dia você chega em casa jurando que nunca mais anda de busão nos EUA...

* Thanksgiving

Em toda última quinta-feira do mês de novembro é celebrado o Thanksgiving, um dos únicos feriados prolongados permitidos pelo Tio Sam. É o Dia de Ação de Graças, lembrando a ocasião em que os primeiros colonos teriam celebrado uma farta colheita após um ano de escassez. Junto aos colonos estariam os nativos, cuja ajuda foi providencial. Isso é o que dizem por aí, não procurei me aprofundar na história.

Aprofundei-me mesmo foi na tradição atual, de se empanturrar de comida durante todo o dia e ir pra casa morgar. Graças a minha big sister, Bethany, fomos convidadas para um almoço de Thanksgiving oferecido por uma amiga dela.
O cardápio tradicional contém peru assado, regado a gravy (um molho ralo feito com os miúdos do peru) e molho de cranberry.

Muitos brasileiros que estão lendo isso agora devem estar com cara de nojo, pois não é costume misturar doce ao salgado. Mas eu adoro esse tipo de mistura e me dei muito bem com a comida dos peregrinos...Fui convidada a trazer um prato típico do Brasil e levei uma legítima farofa, que fez muito sucesso. Faz parte também do almoço uma variedade de pãezinhos, chamados biskuits. Além de pão de milho e torta de abóbora ou maçã. Pra arrematar, sidra! Não a Cereser, mas suco de maçã cozido com canela, gengibre, cravo e etc.

Como saiu em um cartum do jornal local, o Austin Statesmen: ¿Stuff: what people do in Thanksgiving. First to the turkey, and then to themselves¿.


* Black Friday

Logo após o Thanksgiving, mais precisament eno dia seguinte, ocorre o Black Friday, uma grande liquidação que supostamente ajudaria as lojas a entrar no azul. Aqui é ficar no vermelho tem a mesma conotação que a expressão brasileira, mas entrar no azul aqui é na verdade recuperar o saldo ...preto. No noticiário você via gente se estapeando no Walmart para conseguir laptop a preço de banana, filas gigantescas, uma infinidade de gente madrugando na porta das lojas de departamento (lembram-se da liquidação do Magazine Luiza? Pois é muito parecido). Na segunda-feira seguinte ao Thanksgiving acontece o CyberMonday, a liquidação de aparelhos eletrônicos. Ô povo que gosta de comprar!

A partir do Black Friday já começa a contagem regressiva para o Natal. O que significa...mais compras, farta decoração nas ruas e casas, lojas tocando musiquinha de Natal, uma belezinha. Austin está muito bonita, e eu até fui assistir à cerimônia de acendimento da mega árvore de Natal do Zilker Park, junto com a minha amiga gaúcha, Carla.

* Natal!

Como não podia deixar de ser, o politicamente correto e o politicamene fundamentalista estão batendo boca por conta das mensagens de fim de ano. Uma ala dos evangélicos conservadores estão chiando com a substituição generalizada do Merry Christmas (Feliz Natal) pelo Happy Holidays (Boas Festas). Dizem que os liberais estão querendo silenciar os cristãos e eliminar a médio prazo o cristianismo.

O lance é que há muitas pessoas morando nos Estados Unidos que não celebram o Natal, ainda que seja feriado nacional no dia 25 de dezembro. De qualquer forma, aproveito esse espaço para agradecer a todos os que lêem esse blog e as mensagens que envio por e-mail ¿ brigadú pela paciência, pelas mensagens, pelo incentivo, pelo companheirismo mesmo à distância.

Acreditando ou não em Natal, Papai Noel, Jesus-Maria-José, desejo a todos vocês um excelente fim de ano, um descanso recompensador, mesa farrrrta, muita risada e que 2006 seja para todos nós um ano de prosperidade, realizações e grande alegria!

Sou muito grata a todas as pessoas que tornaram possível minha vinda a Austin (minha família e minha orientadora, Profa. Dra. Eliane Moura encabeçam a lista) e a todas as pessoas que tornaram a minha estadia aqui uma experiência inesquecível (Beth, Carla e seu marido Leonardo, thanks a million). Aos meus amigos e colegas no Brasil e aqui nos EUA, um grande beijo texano!

E não se esqueçam, como diria o governador da Califórnia I'LL BE BAAACK!!!
.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005


O DIA EM QUE AUSTIN PAROU

Pela primeira vez na vida eu experimento um frio tão indescritível. No momento são menos 2 Celsius aqui no coração do Texas. Até que não é muito, pois no Norte dos EUA estão fazendo menos 10, menos 20 (quem dá mais?). Mas mesmo assim, caiu uma geada que fechou a cidade. A própria Universidade do Texas está fechada desde ontem à tarde e só abre amanhã. Brrruuughrrrrrrrrrrrrrrrr........

Ah, sim: don't worry, aqui tem aquecimento no meu apartamento. Não chegou a minha hora de virar picolé.

Veja aqui algumas cenas da cidade sob a geada e aprenda novas palavras sobre weather!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quarta-feira, Novembro 30, 2005


HOOK`EM HORNS! ou VISÕES DE AUSTIN


O famoso símbolo da Universidade do Texas, o chifrinho (da cabeça do boi, o mascote BEVO, que fique bem entendido). The eyes of Texas are upon you: os olhos do Texas estão sobre você, canta o hino do time, os Longhorns, os ...chifres!


BEVO, o mascote da UT desde os anos 30 (I guess), antes disso o mascote era um cachorrinho, que morreu atropelado, tadinho...


Vista do horizonte da UT, em foto tirada da frente da biblioteca Netie Lee Benson, especializada em estudos latino americanos.


Mas olha que coisa mais bonita. Vista de um dos cartões postais da UT, a fonte da rua 21, e atrás, a torre do prédio principal.

Next: o McDonalds com um boi na frente; um rinoceronte no meio da rua, e outras belezas dessa cidade encantadora.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Outubro 30, 2005


HAPPY HAPPY HALLOWEEN!!!

Rainha Catarina retornando à Blogosfera para a atualização de mais um mês na terra de Bush Filho.

Prometi no post anterior contar da minha primeira noitada na rua mais badalada de Austin a Sixth. Aproveito para juntar com a minha segunda noitada na sixth e dar um panorama de bela fama de cidade festeira que é Austin.

No início de outubro aceite o convite de um casal de amigos para conferir a tão comentada vida noturna na Sixth Street. Aqui tudo começa e termina relativamente cedo para os padrões brasileiros. Se os baladeiros de plantão (eu me *incluo* fora dessa) no Brasil gostam de começar a noite perto da meia noite, os americanos começam a noite por volta das seis da tarde e terminam por volta das 2 da manhã, quando os bares fecham. Restaurantes costumam fechar às nove, dez horas da noite. Não tem *Gordão* pra bater um sanduba depois da balada...

Pois bem, a coisa mais legal que existe na Sixth é que a polícia fecha parte da rua (que é gigantesca) para o pessoal cair na farra sossegado. Você pode andar no meio da rua sem medo de ser feliz, pulando de bar em bar, sem precisar pagar para entrar. O som do rock e do blues elétrico é constante. Minha grande diversão foi andar na frente das casas noturnas, sentindo a boa vibração do lugar. Pessoas das mais variadas faixas etárias, molecada, tiozada, todo mundo andando pelo asfaltos e pelas calçadas da Sixth escolhendo o próximo espaço pra acomodar os ouvidos. Diga-me: quando que eu poderia fazer isso no Brasil? Infelizmente, eu nunca pude fazer isso em nenhuma grande cidade brazuca, e tenho certeza de que, quando retornar, não continuarei a não fazer.

Por isso mesmo, aproveito o quanto posso. Entramos em um piano bar, em que a banda do palco tocava *I will survive*, da Gloria Gaynor. Eram um pianista bem novinho, um baterista com cabelo de Robert Smith e uma moça no microfone. Quando a música termina, a mulher desce do palco...e vem tomar o nosso pedido! Sim, era a garçonete quem cantava. O bar, Ivory Cat, uma delícia de lugar, pequeno, aconchegante, e super animado. O pianista e o baterista faziam piada de tudo e tocavam o que o pessoal pedia por escrito, na hora. Rolou muito rock anos 60, 70 e 80, e o bar estava repleto de tios e tias se divertindo pra caramba. De lá, passamos por uma danceteria também pequena, mas não me agradou tanto quanto ter passado quase uma hora e meia de puro rock and roll!

Já ontem foi a oportunidade de ver o início da comemoração do Halloween na Sixth. Da mesma forma como muitos brasileiros aproveitam para se fantasiar no Carnaval e comemorar na rua, assim é com o Halloween na Sixth. Não entrei em nenhum lugar (fiquei morrendo de vontade de retornar ao Ivory cat, mas estava lotado), mas fiquei circulando, junto com a minha big sister, Beth, pelos quarteirões da Sixth, admirando a fauna e flora Austiniana...

Mais uma vez, rock and roll rolando solto, aquela atmosfera maravilhosa de liberdade (vigiada por muitos policiais), e uma quantidade impressionante de gente fantasiada das mais variadas coisas. Eis alguns destaques:
* Caras vestidos de freira. O campeão foi um cara vestido de freira grávida e bêbada (e feia;
* Scooby-doo
* Homer Simpson
* Lucylle Ball (I love Lucy)
* Um cara todo musculoso vestido só de cuequinha branca (parecida o Oilman de Curitiba, só que mais sarado);
* Lobo mau
* Vampiro
* Willy Wonka
* Um cara vestido de Branca de Neve
* Rednecks (o termo usado pra caipira aqui ¿ aqueles caras com mullets, óculos escuros e roupa de caminhoneiro);
* Papa, padre, franciscano
* Bozo
* Monstro do Star Wars
* Soldado romano
* Mafioso
* Juiz de baseball...cego (com begala e tudo)
* Um cara gordo, de peruca loira e *sutiã* de conchinhas do mar...
* A mulherada estava investindo no lado gostosa, beirando muitas vezes a vulgaridade. Deu muito shortinho minúsculo, saia microscópica e fantasia ginecológica.

Eu dormi com um sorriso tatuado no rosto, de tão contente de ter ficado no meio do povão nesse Halloween! Eu não me fantasiei porque essa minha saída foi decidida de última hora, e a Beth disse que não se fantasiaria...o legal de sair empetecada é justamente ter companhia pra passar ridículo.

* * *

O horário de verão acabou por aqui, enquanto o horário de verão começou há duas semanas. Isso significa que 4 horas (e mais milhões de kilômetros ou milhas) nos separam.

* * *

Nos dias 29 e 30 de outubro acontecem aqui o Texas Book Festival, no Capitólio, na mesma região onde moro, no centro de Austin. Pensei encontrar algo gigante, como tudo no Texas, mas a feira é menor se comparada com uma Beinal do Livro no Brasil. Mas foi divertido ficar novamente no meio do povão, vendo os lançamentos. Havia não somente banquinhas de livros, como palestras, sessão de autógrafos e conversa com autores. Um deles foi o Bill Clinton, cuja palestra estava com ingresso esgotado há um tempão. Acabei, sem querer, assistindo a uma sessão com uma figura legendária do Texas, o radialista, humorista e eterno candidato a governador do Texas, Kinky Friedman.

De tanto eu ver adesivos de carro e plaquinhas na frente de várias casas dizendo *Kinky for Governor* , *Kinky why Not?*, e assim por diante, fui ver quem era o cara. Entra um sujeito de bigodão, jaquetão, chapéu de caubói e charuto na mão, e a galera alternativa de Austin (praticamente boa parte da população) vai ao delírio. Mas como ele falou longe do microfone o tempo todo, sem contar o sotaque texano bem acentuado, eu entedi pouco das piadas e da *plataforma* de governo. Enfim, saindo de lá vi uns Storm Troopers andando entre as barraquinhas de livros, entretendo a garotada e fazendo sua parte para manter Austin weird...

* * *

Outra atração típica de Austin é assistir ao vôo noturno dos morceguinhos que viúvem debaixo da ponte Town Bridge. A boa época para se assistir a isso é entre junho e agosto. De setembro a outubro, não fica tão interessante, pois não há tantos morcegos quanto no início do verão. Mas foi legal mesmo assim. Naquele dia, um sábado, minha amiga brazuca e gaúcha-cha, Carla, teve piedade de mim e me levou para ver os filhotes de Batman saírem da toca. No fim da tarde, uma galera imensa, pais, filhos, senhores de idade, cachorrada, foram se agrupando debaixo da ponte, esperando o sol se pôr, o momento em que acontece o fenômeno. Há também um povo que fica em cima da ponte, o que explica a seguinte máxima: o povo debaixo da ponte vem ver os bats (morcegos) enquanto os motoristas da ponte vêem os butts (traduza como quiser).

Baixou o sol e nada de morcego, um ou outro dava uma rasantesinha na nossa cabeça. Mas eis que a organização do *evento* joga uma luz vermelha debaixo da ponte e a morcegada começa a sair, voando em bandos da ponte para as árvores no parque. Até aí não dá pra ver muito, até que do nada começam a soltar lindos fogos de artifício, um espetáculo parecido com Ano Novo (!!). Acabados os fogos, o povo aplaude e a morcegada fica doida, saindo em bandos cada vez maiores, permitindo uma visão maior do vôo. Uma hora depois, a Carla me deixa em casa, e eu volto com a missão cumprida de ter visitado mais um *lugar turístico* de Austin.

* * *

Deixem-me agora voltar à labuta! Em breve, mais notícias!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Outubro 09, 2005


ROBERT RODRIGUEZ KICKS ASS

Robert who? Sim, o diretor de cinema Robert Rodriguez, ex-aluno de cinema aqui da UT, deu uma palestra di gratis aqui, dia 28 de setembro. Com sinceridade? Foi mais legal que a palestra do Dalai Lama.

Robert Rodriguez nasceu e cresceu em San Antonio, uma cidade próxima a Austin, e desde moleque, segundo ele próprio, já fazia filmes caseiros com uma câmera de vídeo. Durante muito tempo ele demorou a descobrir o que queria fazer da vida, até entrar com um pedido de bolsa e admissão na Universidade do Texas, em Austin. Sua família não tinha muito dinheiro para bancar uma faculdade (aqui o ensino, mesmo público, é pago, e é muuuuito caro), e ele foi o primeiro da família a ter esse privilégio. Matriculou-se na escola de TV, Rádio e Cinema, mas foi um aluno um tanto...relapso. Para descolar uns trocados, foi até cartunista do jornal local, The Daily Texan, e também *vendeu* o seu corpo para a ciência (ele participava de experimentos científicos e vendia amostras de sangue e de ouros fluidos para laboratórios aqui em Austin).

Uma forma que ele pensou em fazer dinheiro com cinema foi fazer filmes de baixo orçamento para o público mexicano. Nasceu a idéia de El Mariachi, que acabou o projetando para o mercado de cinema. El Mariachi foi rodado com 5 mil doletas, o que não é nada para os padrões de Hollywood. O filme acabou rendendo muito mais, e ainda chamou a atenção da Columbia Pictures, que o contratou para fazer filmes. No início ele disse precer um sonho, pois os executivos o levaram pra Hollywood, e o hospedaram em um hotel incrível.

Robert Rodriguez foi muito simpático e despojado, apresentando-se de terno, camiseta, e boné (que ele não tirou durante a uma hora de fala, e me impediu de ver o seu rosto). Como estava retornando a Universidade que o havia acolhido, foi como voltar para casa e a recepção foi igualmente calorosa. No início, ele desceu para ver a cara do pessoal que veio assisti-lo: *My God, you¿re so young!*. Não que ele fosse velho, contando apenas com 35 anos.

Sua fala concentrou-se muito em como ele fez para chegar onde chegou, dando conselhos para a molecada que cursa cinema na UT. Disse para sempre almejaram alto, pois senão ficarão presos a realizações modestas. E em seguida contou curiosidades sobre seus filmes: quando fez A Balada do Pistoleiro (Desperado), continuação de El Mariachi, a escolha de Antonio Banderas foi fácil, mas a escalação de Salma Hayek foi mais difícil de ser aceita pelos executivos, pois não queriam uma latina como protagonista. Sugeriram o nome de Cameron Diaz....somente pelo sobrenome! Já o nome do filme seria originalmente El Pistolero, mas os executivos acharam inapropriado, pois Pistolero soa como Piss (mijo ¿ sorry pelo termo chulo, mas é exatamente isso).

Hollywood espera, assim como uma parte dominante da mentalidade americana, que um cineasta latino faça filmes latinos, ou que se escalar atores latinos, o filme será direcionado para um público latino, com temática latina. Em Spy Kids, ele trouxe uma família latina para um papel nunca destinado a esse público, o de agente secreto. A idéia surgiu no filme Grande Hotel (Four Rooms), em que dirigiu o episódio The Misbeheavers, com a participação de Banderas.

Por fim, ele nos presenteou com alguns extras que irão para o DVD de Sin City (não entendi se o primeiro ou o segundo), com cenas do primeiro filme que ele fez, com 12 anos (uma seqüência de luta em que ele finge dar golpes de caratê em um colega), cenas de bastidores de vários filmes, e até uma receita de como fazer Breakfast Taco, um prato muito popular por aqui.

Resumindo, Rodriguez é gente boa pra caramba.

E por falar em breakfast tacos....

AMERICAN GOURMET

Em Roma, faça como os romanos, diz o ditado. In United States, do like the Americans do, foi a minha filosofia desde o primeiro dia. É muito divertido adotar a cultura do *Outro* , começando pela comida.

Sim aqui há muitos latinos e há supermercados em que você pode encontrar delícias brasileiras, como leite condensado (chamado La Lechera), arroz Tio João, feijão, etc. porém, como passei um mês na casa de uma americana, aprendi a gostar de algumas cositas bem texanas.

* Peanut Butter and Jelly = manteiga de amendoim e geléia.

Eu começo o meu dia como muitos americanos, com pão tostado na tostadeira, com peanut butter and jelly. Sustenta pra caramba e é uma delícia. Não precisa ser necessariamente manteiga de amendoim, há manteiga de caju, de amêndoas, de amêndoas com chocolate, etc. Você pode comprar pronto em supermercados ou moído na hora no supermercado orgânico (Whole Foods), há a versão cremosa e a crocante. A geléia explica-se pelo fato de a manteiga de amendoim ser meio seca para ser consumida sozinha. Muitos americanos levam sanduíche de peanut butter and jelly para comer como almoço ou em qualquer ocasião.

* Breakfast Taco

Confesso que não gostei totalmente de comida mexicana, que provavelmente aqui deve ser muito diferente da comida mexicana de fato. Não estou acostumada com coisas muito apimentadas, e aqui o lance é colocar pimenta em tudo. Por outro lado, há coisas gostosinhas, como o breakfest taco. Em geral , como diz o nome, é servido como café da manhã, mas prefiro comer como jantar. É tortilla (uma massa fina, parecida com uma mini pizza) com ovos mexidos, carna moída, e o que mais você tiver na dispensa. Como eu aderi a outra onda Austiniana, a comida natureba, eu faço o meu ovo (que é vendido em caixinhas, já batido) com uma mistura pra taco a base de soja, e queijo. Coloca por cima da tortilla e come com salsa, o molho de pimenta. Uma dilícia.

* Comida orgânica

Isso é típico de Austin. Aqui a onda politicamente correta é forte e isso inclui comer comida orgânica, comprada no HEB (uma grande rede de supermercados) ou no Whole Foods. Posso dizer que nunca entrei em um MacDonalds aqui, porque simplesmente é muito longe de onde estou e não existe uma loja sequer na UT. Há outras cadeias de fast-foods que só de olhar dá embrulho no estômago: Wendys, Burger King, Quiznos, estão entre os mais populares e baratos. A molecada come nesse lugares, que estão concentrados no Texas Union, aqui na UT. Mas eu ainda não tive coragem de me aventurar por essas comidas.

* Grocery Store
Aqui dificilmente alguém vai para o *supermarket*. O pessoal vai *grocery* (go grocery, go to the grocery store). Que é o nome do supermercado para os americanos. Assim como Mall é o nosso velho *shopps centis*. Como já disse em outro texto, há trezentas variedades de coisas, e o meu preferido é o HEB, que possui coisas muito boas, e baratas. Semanalmente tenho que fazer compras no supermercado, pois não há leite longa vida aqui. Você compra o leite pra semana, pois é isso que ele dura. De vez em quando consigo comprar até pão francês por 99 cents o equivalente a um duas baguetes. Outra coisa ultra americana é a sopinha enlatada Campbell¿s. Não é a única marca, mas é a mais tradicional e foi a primeira que sumiu das prateleiras no rush do Furacão Rita. Em geral o pessoal toma sopa junto com sanduíche.
O milho é simplesmente divino. Um pouco mais doce que o brasileiro, assim como a ervilha, é uma das coisas mais gostosas que eu já comi por aqui.
Na minha onda natureba , por total desconhecimento de como se prepara uma peça de carne, eu como hambúrguer de soja Boca Burgers! Muito bom, quebra o maior galho e tem pouca gordura.
No geral, porém, a comida boa é cara e a comida ruim, cheia de gordura ruim, é baratíssima. Crianças, não façam isso quando saírem de casa: no início da minha estadia eu economizei em comida, comprando porcaria, e caí doente em um mês e meio de States. O que economizei em rango, gastei em remédio.

* Coffee shop

Já disse em outro texto que aqui é cheio de coffee shops, e há cadeias nacionais como a Starbucks, a Seattle¿s Best, a Java City, e até na biblioteca central abriram um coffee shop. Aqui no Texas tudo é imenso e o copo pequeno é o equivalente ao nosso copo médio de refrigerante. É meio carinho, dependendo do que você pede, mas sempre compensa, ainda mais num dia frio. Sim, sexta-feira foi um dia muito frio, e aproveitei para fazer como os americanos e saborear meu Caramel Macchiato no Java City da Perry Castanheda em plenos 11 graus centígrados. Finalmente o outono chegou!

Meu texto está gigantesco, mas compensa todo tempo de ausência. No próximo texto, minha primeira noitada na Sixth Street!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sábado, Setembro 24, 2005


HURRICANES AND LOGHORNS (furacões e chifres)

Tomei vergonha na cara para escrever mais um diário de bordo do que rola pelas Terras do Tio Sam. Prometi no post anterior escrever sobre a Universidade, mas hoje estou inspirada para escrever de tudo um pouco.


1.Furacões

Vamos começar pelo evento da semana, o furacão Rita.

Os americanos foram pegos de surpresa pelo furacão Katrina, que criou efeitos colaterais físicos, econômicos e morais para os próximos anos. Quando o Katrina surgiu, eu tinha pouco acesso à TV, e passava a maior parte do tempo na Universidade, pois não fazia 3 semanas que eu tinha chegado.

Eu não havia me dado conta do tamanho do estrago até começar a ler dois dos jornais mais lidos em Austin, o Austin American Statesman e o Daily Texan (este, distribuído de graça). Quando me instalei no meu atual apartamento, pude ver melhor as reportagens e as imagens. Como vim para cá para estudar a mídia protestante americana, não faltaram programas de diversas igrejas e televangelistas (incluindo o Pat Robertson, aquele que sugeriu dar cabo do Hugo Chavez) levantando fundos e coordenando esforços para dar assistência aos sobreviventes e refugiados do Katrina.

Austin, sendo uma cidade super engajada e politicamente correta, fez tudo quanto é tipo de evento para ajudar. Marchas, corridas, mini shows, mega shows (como o comandado pelo Willie Nelson essa última quarta, 21 de setembro), até uma mega feira organizada pelos estudantes da Universidade do Texas para arrecadar fundos e inscrever voluntários. Muitos sobreviventes foram para Houston e para Austin, e quem veio para Austin não quis mais ir embora para outro lugar. Como já havia indicado antes, aqui é a terra da hospitalidade.

Muitas pessoas ficaram indignadas com a lenta resposta do governo municipal (de Nova Orleans), estadual (da Louisiana) e nacional (you know who). Duas expressões foram muitos correntes na imprensa: *finger-pointing* e *passing the bucket*. A primeira, quando você point fingers, significa acusar ou culpar uma outra pessoa por um problema. Já pass the bucket tem um similar brasileiro, que é empurrar o problema para os outros. Enfim, quando o Rita se aproximou do Texas, perto de refinarias de petróleo e de Houston, a quarta maior cidade dos Estados Unidos, o povo tratou de se preparar muito bem para não *be caught with their pants down*, ser pego de surpresa.

Durante essa semana, quando o furacão passou para intensidade 5, eu passei de desencanada (afinal essa era a cidade para onde o pessoal estava vindo) a muito preocupada, pois havia a grande possibilidade de sermos pegos com furacão 1 ou uma grande tempestade.

Eu e a minha amigona Beth, minha big sister, corremos para o supermercado para estocar água, comida enlatada e bateria. Dos três só encontramos a comida, e ainda assim já no fim. O pessoal de Houston veio toda para cá, e para cidades adjacentes, preparando-se para o pior. Refugiei-me no apartamento da Beth, pois ela estava bem melhor preparada para enfrentar isso.

Felizmente, graças a Deus, as notícias foram melhorando ao longo do dia de ontem, e o furacão passou para categoria 4 e foi se desviando para o nordeste do Texas, na divisa com a já castigada Louisiana. Hoje de manhã, o dia amanheceu levemente nublado, com algum vento e muito sol. A vida continua, e hoje, no dia do furacão que não houve (the hurricane that wasn¿t) estou escrevendo esse texto para vocês.


2. Universidade

A Universidade do Texas é gigantesca e fascinante. Foi construída com a grana dos petroleiros, e o seu símbolo é o Longhorn, o chifre de boi! As cores da Ut são branco e laranja, e existem lojas dentro e fora da UT vendendo roupas e quiquilharias com o chifrinho em branco e laranja. Até eu já tenho o meu chaveirinho Longhorn!

O símbolo do Longhorn é o mesmo do heavy metal. É verdade! Tem até a estátua de um senhor, com chapéu de cowboy fazendo o sinal do heavy metal, digo, longhorn. Ainda não comprei câmera digital, mas tenham paciência pois eu vou mostrar a foto assim que comprar.

Tem também o time de futebol (americano), que pára a cidade quando tem jogo. E os ônibus, em época de jogo, exibem o grito de guerra do time, Hook`em Horns! Tem as cheerleaders, que de vez em quando treinam suas coreografias no jardim do Museu do presidente Lyndon Johnson, perto da biblioteca onde costumo estudar.

Há várias bibliotecas, mas a maior é a Perry Castanheda, com uns sete andares e trilhões de livros. Você encontra literalmente tudo em todas as línguas. É fascinante. E não há limite de empréstimo: você pega quantos precisar e só devolve no final do semestre. Ao não ser que alguém peça o livro, e você tem duas semanas para devolver. O pessoal da biblioteca manda até carta avisando da devolução.

Outra coisa interessante é que na Perry você pode até comer! Em todos os lugares entrar com mochila é permitido (também, haja armário pra guardar os pertences de milhares de estudantes), e em algumas bibliotecas é permitido comer. A parte de microfilme da Perry é um desbunde: você pode scanear o microfilme que você quiser.

Já os alunos são um show à parte. Uma grande diversidade de culturas e línguas que aqui em Austin encontram um lugar de expressão, mas também de uniformização. Todo mundo anda de celular, anda falando no celular, dirige falando no celular. Sim, aqui não é proibido dirigir e falar no telefone. Todo mundo tem IPod, em qualquer lugar, em qualquer hora, sempre tem alguém com os famosos foninhos brancos. E mesmo outras marcas de MP3 player já imitam o foninho branco. Enquanto no Brasil o IPod mais badalado é o de 512 MB, que custa quase 1000 reais, aqui o 512 MB é o mais fuleirinho. O pessoal compra de 1GB, 4GB, 5GB.....quem dá mais: 20GB!!

Todas as meninas (as mais novinhas pelo menos) andam de shorts (curto), camiseta, óculos escuros enormes, tipo Jackie O., cabelo com chapinha e bolsa enorme, para caber o laptop. Cabelo curto está na moda, channel assimétrico. Fora isso, o povo anda bem despojado. Há os que se arrumam muito bem , há os que não estão nem aí. Aqui é Austin, be yourself, seja você mesmo.


3. Vida social

Bom, infelizmente não pude aproveitar muito do que Austin oferece de divertimento por não ter carro. Depender de ônibus limita os horários e os itinerários. Sem contar que poucas coisas são baratas ou de graça. E como tenho de resguardar meu bolsinho, ainda não participei de nada extraordinário. Nesse exato momento está rolando o grande festival da cidade, o Austin City Limits, que contará com Oasis, Coldplay, entre muitos outros. É perto de onde moro, mas os ingressos são impraticáveis para o meu padrão terceiro-mundo...

Para não dizer que não vi nada, nessa última terça-feira foi assistir à palestra que o Dalai Lamadeu na UT. 12 mil pessoas lotaram o estádio Frank Erwin. Foi OK, tirando o fato de que o Dalai Lama não fala inglês com muita fluência, o que dificultou muito o entendimento de sua mensagem. Mas o lance era estar lá. Já imaginou....a pesquisadora de *história das Religiões* não ver o Dalai Lama de graça na UT???

Eu moro na rua mais badalada de Austin, a West Sixth, onde recentemente o sobrinho do Bush foi preso por estar manguaçado. Mas imagine a Avenida Paulista; esta é a sixth, e eu moro bem no final, onde não há mais bares. Portanto, ainda não pude aproveitar essa parte da cidade. Mas aos poucos eu vou explorando o lugar. Só não fiz isso mais vezes, por causa de uma bela alergia...


4. Austin: a capital nacional da música ao vivo ....e da alergia.

Eu não sabia, mas semana passada descobri que Austin é a capital nacional da alergia. A previsão do tempo aqui inclui a taxa de alergenos no ar, em especial mofo, pólem e ragweed, que ainda não descobri o que significa, mas é uma plantinha. E a taxa é sempre alta, pois há muitas árvores, é muito quente e úmido, e chove pouco.

No início da minha estadia, eu achava estranho não ver ninguém andando muitos pelas ruas com área verde, mas depois eu descobri o porquê...

Além disso, como é muito quente, todos os lugares fechados possuem ar condicionado, em geral ligado no último. Imagina que belo choque térmico!

Alergia é levada a sério aqui, e há sessões e mais sessões de farmárcia e supermercado com produtos para alergia. Mas como os remédios mais eficazes e fortes são vendidos sob prescrição médica, em geral os remédios over the counter, nas prateleiras, são mais fraquinhos.

Descobri isso quando minha garganta ficou inflamada há quase duas semanas, e não sarava com nada. Fui parar no posto de saúde da Universidade e fui muito bem atendida. Depois de um bom tempo piorando fui dignosticada com bronquite asmática.

Mas o interessante aqui é que você não é atendido por um médico, e sim por uma enfermeira, chamada Nurse Practitioner, que faz as vezes de um clínico geral. E é uma situação engraçada, pois a enfermeira não pode prescrever nada sem a autorização do médico. Então ocorre o seguinte: você é atendido e dignosticado, a enfermeira fala com o médico no corredor sobre o seu caso, e o médico assina o papel. Ainda não entendi porque você não tem acesso a um médico, mas só sei que é assim....

Em breve, mais notícias.
Um abração a todos!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quinta-feira, Setembro 22, 2005


(NOT SO) LOVELY RITA

Sei que ninguém mais lê esse blog, mas acho importante reportar o seguinte: Austin não está na rota do furacão Rita, mas poderá sofrer *respingos* dele. Aqui é o centro do Texas e muitas pessoas estão vindo de Houston para se refugiar aqui. What an adventure: sair do país e presenciar dois furacões!....



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Terça-feira, Setembro 20, 2005


DALAI LAMA

Gentem, eu vou ver o Dalai Lama ali na esquina e jah volto heheheh....

Nao entendeu? clique aqui.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Setembro 04, 2005


O MELHOR DA VIDA É VIVÊ-LA

Queridos súditos, a rainha está de volta. Não ao Brasil, mas à Blogolândia, craro.

Esse último mês tem sido surpreendente, e por isso, demorei a escrever. Sei que muitos estão curiosos em saber como é viver na Terra do Tio Sam, e eu mesma pensava que escreveria um post por dia aqui nos States. Mas não foi bem isso que ocorreu, and I will tell you why.

Essa é a primeira vez que não só saio do país, como de casa. Viver em uma outra cultura sozinha é uma grande experiência, e confesso que estava precisando disso. Mas exige um tempo de adaptação e de aprendizado que tomou por completo a minha atenção. Graças a Deus, tive uma excelente companhia para me explicar as coisas e não me deixar cair em roubadas ¿ a Bethany, uma aluna do doutorado da Universidade do Texas, que gentilmente me ofereceu um canto para ficar enquanto procurava um canto para mm mesma.

Nesse último mês aqui nos Estados Unidos aprendi que o melhor da vida é vivê-la. Parece clichê de comercial de margarina, mas é verdade. Austin é uma cidade muito bacana, e a Universidade do Texas é um lugar fantástico. Sem contar que isso aqui é a América, a terra do consumo e do capitalismo, de uma galáxia de novidades que nunca virão para a Brasilândia. E foi com tudo isso e muito muito mais que eu andei me distraindo por aí. Ah, sim, al[em disso vim para estudar, lógico.

Muitos dizem que Austin é completamente o oposto do Texas, e quiçá dos Estados Unidos. Não saberia dizer, pois não conheço outras partes do país, mas com certeza esse lugar me conquistou desde o primeiro minuto. Mesmo no aeroporto de Dallas, já pude perceber o que me esperava. Logo que saí do avião fui recepcionada por um simpático senhor de gravata colorida com um sonoro Good Morning, mam! E eram apenas 6 horas da manhã! Aqui é muito comum você ser cumprimentado por um Hello, Hi ¿ How are you doing?, Good Morning! E assim por diante. Espere isso de qualquer pessoa: do motorista de ônibus, do caixa de supermercado, de alguém passar por você. Sem contar que de nada alguém pode puxar conversa contigo, numa fila, no busão, no mercado. Em geral as pessoas são muito educadas e amigáveis, o que dá gosto de corresponder. O que eu acho mais bacana são quando senhoras de idade puxam conversa comigo. Não espere cara feia aqui nessa cidade de Sol e quase 40 graus de temperatura!

Outra coisa que me chamou atenção aqui foi a dimensão das coisas. Há poucos prédios altos, mas em compensação, as avenidas, as casas, os copos, as refeições, tudo é simplesmente huuuuge, enoooorme! E quando eu comentava isso, as pessoas me diziam: well, this is Texas! Aqui é o Texas, e parece que em todo lugar é assim. O efeito colateral disso é que é tudo muito distante, pois está espalhado pela cidade. Como uma boa cidade americana, há poucas calçadas ¿ muitas ruas são feitas para você andar de carro, e não andar a pé. Aliás, como andar a pé em um lugar extremamente quente e úmido? Mas o sistema de ônibus é satisfatório pelo padrão americano. Aliás aqui, estudante da Universidade não paga ônibus, o que é uma grande economia, e uma tremenda mão na roda. Há dois sistemas de ônibus: o shuttle é um ônibus expresso, que sai do campus para vários cantos da cidade, e o ônibus convencional, com número maior de paradas, que funciona nos fins de semana (ao contrário do shuttle). E há também uma espécie de réplica de bondinho, o Dillo, que é gratuito para todo mundo, e leva para pontos turísticos da cidade. Há até um Dillo que leva o pessoal para a balada ¿ o Moonlight Dillo. Funciona até as 2 da matina e permite que o povo encha a cara sem pegar no carro.

Ainda não fui a nenhuma balada. Aqui há muitos coffee shops (cafés), que oferece
conexão wireless (sem fio) gratuito, e muitos barezinhos de música ao vivo. Austin é conhecida como a capital nacional da música ao vivo, mas ainda não tive a oportunidade de gandaiar, pois sem carro tudo fica mais limitado. Mas há parques muitos bonitos, o que oferece a chance de desfrutar o horário de verão numa boa.

Minha maior diversão ultimamente foi conhecer os supermercados gigantescos que existem por aqui. Fazer compras é uma experiência um tanto angustiante para um brasileiro. Não somente pelo preço (há muitas coisas caras), mas pela estrondosa variedade de produtos. Ter que se decidir entre mais de vinte marcas de pão, trocentas marcas de sabonete, pasta de dente, café, etc etc etc colocou-me frente à experiência do capitalismo na sua mais profunda essência (uou!). Sem contar a especialização: há o supermercado tecnológico (Fry¿s), que vende desde interruptor até o último modelo de notebook; há o supermercado orgânico (Whole Foods), em que junk food não entra; há o supermercado da pobraiada (WalMart), porque pobre também consome, etc etc etc.

Bom, escrevi bastante! Infelizmente tenho poucas fotos, pois não tenho câmera digital ainda. Mas em breve espero mostrar as curiosidades e as belezas desse lugar ultracool!

Para quem viu o noticiário dos últimos dias sobre o furacão Katrina, não precisam ficar preocupados comigo. O furacão passou longe dessa parte do Texas, e felizmente os texanos estão abrigando os sobreviventes dessa tragédia que chocou o mundo inteiro.

No próximo post conto mais sobre a Universidade.

Um grande abraço a todos!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sexta-feira, Agosto 05, 2005


GOLDEN TICKET

Quem assistiu à Fantástica Fábrica de Chocolate sabe o que significa ganhar um Golden Ticket. Significa realizar um sonho, ou realizar algo incrível, nunca antes imaginado, assim como aconteceu com o menino Charlie.

Mas, ao contrário dos últimos posts, em que me dediquei a comentar filmes, esse post não é sobre o filme acima. Hoje vou falar sobre o meu Golden Ticket.

Durante muito tempo relutei em acreditar que coisas extraordinárias acontecessem comigo: como num filme, sempre assisti às transformações de meus amigos e colegas, enquanto eu continuava em minha confortável rotina de Rainha de Catarinalândia, meu fictício e pacífico mundinho, do qual nunca reclamei.

Porém, acho que Lá em cima, alguém em cima gosta de mim (outro filme!), porque sinto que minha vida sempre foi abençoada com uma família excelente, um trabalho fantástico, amigos bacanas e oportunidades que me surpreendem. Quem me conhece bem, sabe dos meus defeitos. Mas não se iluda com a minha carranca: eu sou feliz! Eu também sou medrosa, mal-humorada, um pouco ranzinza, teimosa e desconfiada, mas sobretudo, sou feliz.

E dando continuidade à minha felicidade, anuncio-lhes que a sede de Catarinalândia será temporariamente transferida para a Terra do Tio Sam a partir desse mês de agosto. Não, não fui convidada para fazer companhia pra Sol em América (se bem que seria interessante ir para os Estados Unidos de Glória Perez, pois assim não precisaria pegar avião...era só abrir uma porta!). Vou passar seis meses estudando por lá, e espero sinceramente poder atualizar com freqüência esse blog sangue-azul para contar sobre o que rola acima do Equador.

Se você, querido(a) súdito(a), também acredita que coisas boas só acontecem para os outros, lembre-se dessa sua Rainha e passe a procurar pelo seu Golden Ticket: uma hora ele aparece!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Terça-feira, Julho 12, 2005


SANTA PACIÊNCIA, BATMAN!!!

Ultimamente o universo dos superheróis vem me chamando a atenção por causa dos filmes lançados no cinema: X-Men, Batman, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico. Este, aliás, um filme bem divertido. Não chega a ser um novo X-Men, mas dá para o gasto.

Quando criança eu assisti à Liga da Justiça, ao He man, à She ra, e tive minha fantasia de Mulher Maravilha para o Carnaval de 1900 e bolinhas...mas nunca fui fanática por história em quadrinhos de heróis. Muito menos agora tenho vontade de começar uma coleção do Batman, mas toda essa badalação em cima do tema me fez pensar em uma coisa: e se pudéssemos escolher um super-poder para enfrentar nossa super-rotina?

Há quem pense que superherói é coisa típica da cultura americana, por projetar a solução dos problemas nas mãos de uma só pessoa. Psicologia de botequim à parte, não seria bacana imaginar como poderíamos nos safar de um assalto ou de um busão lotado usando uma ajudinha super-extra?

1.Teletransporte

Que transporte público, que metrô, que trem-bala que nada! O lance para se chegar de um lugar a outro sem engarrafamento, aporrinhação de motorista lerdo, carro velho e radar de 40km é o teletransporte. Como Noturno, do X-Men, você evapora de um lugar a outro em questão de segundos, pulando de prédio em prédio sem o risco de ter suas super-teias presas em alguma construção em reforma. A vantagem extra do teletransporte é poder fugir de pessoas e lugares indesejados sem ser notado.

2.Voar

A diferença entre teletransportar-se e voar é que, quando você voa, todo mundo vê. É um superpoder para pessoas mais saidinhas, com anseio de salvar o mundo, ainda que estejam mais interessadas mesmo em economizar em passagens aéreas. Esse superpoder é indicado para aqueles que gostavam de brincar de Superman, Batman, Supermouse e Mulher Maravilha usando o lençol da mamãe amarrado no pescoço.

3.Cinto de utilidades

Não é bem um superpoder, mas um conjunto de acessórios que podem facilitar a estressante rotina de qualquer moral. É como um item opcional de um carro: se você tem um superpoder, um cinto de utilidades pode tornar sua vida mais divertida! Por exemplo: para combater aqueles atendentes cheios de má vontade e de cara fechada, recomendamos o uso do gás hilariante para alegrar o ambiente. Para lutar contra a burocracia, tenha sempre um pistolão à mão (recurso já sugerido no TV Pirata). Para intermináveis filas causadas por escassez de funcionários e atendimento lento, sugerimos o uso de hologramas que farão réplicas dos funcionários, e que com toda certeza atenderão muito melhor que eles!

4.Força Descomunal

Esse é um superpoder útil para que não quer ser pego desprevenido de um assalto. Dependendo do tipo de manifestação de força descomunal, você poder assustar o vagabundo somente pela mudança de cor e tamanho (como o Hulk). Mas se preferir algo mais teatral, uma capa, uma cueca vestida por cima da calça, e uma brilhantina no cabelo já fizeram sucesso. Obviamente, uma força descomunal exige uma transformação no DNA por radiação ou picada de aranha radioativa. Se você nasceu em outro planeta, melhor ainda. Mas, é claro que, se você nasceu em outro planeta, não vai ser doido de vir pra cá, certo?

5.Vidência / Visão Raio-X / Telepatia

Superpoderes relacionados com a capacidade de olhar o que não se vê seriam bastante úteis para desmascarar as desculpas esfarrapadas daquele seu amigo furão, além de possíveis puxadas de tapete de colegas de trabalho e traições do(a) amado(a). Visão Raio-X pode ajudar a encontrar aquela coleção de gibis dos Trapalhões que você perdeu no meio da sua bagunça, enquanto a vidência permite apostar nos números da Megasena acumuladas de 150 milhões. Já a telepatia representaria uma super-economia em celular e telefone fixo. E sem telefone, você fica livre de telemarketing, uma economia de sua super-paciência!

6.Rapidez / Elasticidade

Pra fazer aquela faxina ixpérta sem contratar uma diarista, bastaria ter o superpoder de um The Flash aliado à habilidade de um Homem-elástico para limpar os recônditos mais secretos da sua morada.

E você, ó ignóbil súdito (a), que outro superpoder você teria???



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Terça-feira, Junho 21, 2005


BATMAN É O CARA!!!!


Christian Bale em Batman Begins: uh tê rê rê!!!

O que um sujeito podre de rico faria se pudesse vingar a morte dos pais e, de quebra, acabar com a bandidagem solta por aí? A história é conhecida: o cidadão, Bruce Wayne, tremendo playboy durante o dia, vira o obscuro e amargurado Batman, protetor de Gotham City, o protótipo de qualquer megalópole atual.

O Homem-Morcego andava meio desmoralizado depois de Batman & Robin, em que Bruce Wayne foi vivido pelo improvável George Clooney. Mas, após hibernar na sua bat-caverna durante oito anos, surge um cidadão para honrar as bat-calças dessa bat-lenda: Christian Bale. Se Batman fosse real, ele seria igual ao personagem principal de Batman Begins.

O filme acerta ao explorar a formação do herói, mostrando não somente de onde surgem aquelas bat-quinquilharias, mas também ao contar o que acontece a Bruce Wayne enquanto ele vaga sem rumo após sair de Gotham. Isso dá um sentido e até uma verossimilhança à história (na medida do possível), que procura enfatizar o medo e a raiva que movem o morcegão.

Medo e raiva que também sentimos. O bacana do filme foi trazer uma identificação com o que sentimos no nosso cotidiano, vivido em grandes cidades povoadas de criminosos, em que o mal está difuso, espreitando nossos passos em todo momento. A sensação de impunidade e de impotência perante o desconhecido e o inevitável é o combustível para a criação da figura do super-herói. Ele é um de nós, mas um pouco diferente: foi escolhido para pôr ordem na casa.

Seguindo essa idéia, Christian Bale faz um Batman soberbo, denso, furioso e físico (que físico!! O mulherio saúda a escolha de Bale!). Outro acerto do diretor Christopher Nolan (Amnésia) foi dar espaço para os atores. Tudo tem sua hora no filme: os personagens não são mero pretexto para bilhões de efeitos especiais. Pelo contrário, a força do filme está no desempenho dos atores, o que traz humanidade para uma história altamente improvável: Michael Cane (Alfred), Gary Oldman (sargento Gordon), Morgan Freeman (como Fox, funcionário de confiança da corporação Wayne), Lian Neeson (Ducard).

As seqüências de ação lavam a alma, principalmente as que Batman caça a pilantragem. Há tragédia, há drama, há aventura, humor e um toque de romance, na medida certa. O bom mesmo é ver o morcegão raivoso na bat-roupa. Bale até mudou a voz para mostrar que Batman não brinca em serviço. Que meda!

A única nota dissonante é Katie Holmes, bastante inexpressiva para uma promotora de justiça incorruptível. Ela faz a amiga de infância de Bruce Wayne, por quem ele é apaixonado. Aliás, uma das melhores cenas de Batman Begins é a que Bruce Wayne reencontra Rachel Dawes na porta de um hotel luxuoso: o olhar e a expressão de Christian Bale mudam completamente, fazendo lembrar a de um menino encantado diante da primeira namorada. Pensando bem, como o destaque todo foi para o Batman, uma atriz muito estrela poderia ofuscar a força do personagem nesse contexto. Bale faz um Batman macho-cho, mas ficou faltando um beijo desentupidor de pia!

Parece até que falo sobre uma obra-prima do cinema, mas não sei se chega a tanto, até porque eu não entendo nada de cinema. Mas quando vejo um filme em que os bandidos tomam uma surra do mocinho, de forma a não insultar a minha nobre inteligência, saio bat-feliz do cinema.

Assim sendo....

ESTÃO ESPERANDO O QUE PARA VER O BATMAN????



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Sábado, Junho 18, 2005


SÓ DIGO UMA COISA.....

BATMAN É SIMPLESMENTE O CARA!!!

Mais detalhes em breve. Só digo uma coisa: SE VOCÊ, Ó SÚDITO(A), NÃO FOI VER BATMAN BEGINS....VÁ AGORA!

Senão, o Batmão vem te pegar...ui!




Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quinta-feira, Junho 02, 2005


A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

É, cambada, eu voltei ¿ porque a boa Rainha à Catarinalândia retorna!

Tenho que admitir que os últimos meses têm sido bastante agitados, o que explica a longa ausência, mas não justificam a tremenda preguiça que me acometeu no que concerne a partilha de idéias. Mas agora, no hercúleo esforço de me manter firme aos meus compromissos, volto para meus plebeuzinhos.

O que a Rainha tem feito, em que tem pensado, para onde tem viajado eu, a magnânima Rainha de Catarinalândia?

BOB ESPONJA: A BOBCESSÃO

Sim, continuo assistindo bastante ao Bob Esponja. Aliás, assisti duas vezes ao filme do Bob Esponja. O que dizer de um filme em que o argumento principal é a recuperação da coroa do impiedoso Rei Netuno, bravamente empreendida por Bob Esponja e seu amigo Patrick Estrela, com a participação especial de David Hasselhoff como ele mesmo? Fazia muito tempo que eu não ria de um desenho animado como esse. Uma dose diária de infância não faz mal a ninguém.

CADÊ O TV PIRATA QUE ESTAVA AQUI?!

Pois é, Globo, digo, Multishow....qui papelão, hein? Bota doce na boca da criançada e depois tira? Tsc tsc tsc...por pouco tempo acreditei que a Globo finalmente cedera aos pedidos de seus telespectadores para passar as reprises do TV Pirata e do Armação Ilimitada. Doce ilusão, ledo engano: assim como na xaroposa festa de comemoração dos 40 anos da emissora, o povão foi deixado de fora, simbolizando que a Tv não é mais feita para o pessoal assistir, mas para fechar acordo com patrocinador, levantar a bola de celebridades e outras cositas. Numa atitude sem explicação, a Multishow tirou as reprises do ar ¿coincidentemente¿ depois que a Globo fez 40 anos. A festa acabou, cambada.

SEINFELD

Nossa, até parece dejà vu de posts passados, mas nada melhor que desestressar vendo Seinfeld com algo a mais: o DVD com as duas primeiras temporadas e extras, muitos extras. Erros de gravação, comentários, curiosidades, versões diferentes do mesmo episódio. Cada vez me convenço de que eu sou a alma gêmea de George Costanza, que por sua vez é o alter-ego de Larry David, produtor, roteirista e criador do programa, junto com Jerry Seinfeld. O desespero, o surto, a neurose, a ansiedade (uau, que bela auto propaganda essa a minha!), claro que em doses menores, isso é George Costanza!

Mas, autodepreciações à parte, o bacana de rever Seinfeld é ver como o programa conseguia pegar detalhes mínimos, praticamente insignificantes da realidade cotidiana e enxergar com uma lupa, sem cabecismos, mas com a arma mais inteligente do ser humano: o bom-humor.

Isso me faz lembrar de quando eu era pivete: o meu maior sonho era ser comediante! Eu simplesmente adorava assistir a programas de humor, filmes de comédia, ver Chico Anysio, Jô Soares, Bronco, Os Três Patetas, tudo que você pudesse imaginar. Chegava até a escrever quadros, mas nada que fosse risível o bastante para eu me considerar uma comediante.

Não ser comediante foi tão frustrante quanto descobrir que eu não servia pra tocar nada. Felizmente descobri minha vocação a tempo de não ficar deprimida demais. Antes uma historiadora feliz a uma comediante enfadonha e uma música picareta. Cara, acho que esse pessoal do humor é tremendamente abençoado com esse dom de fazer os outros olharem a vida de uma forma positiva, ou sarcástica, ou cáustica, mas sempre engraçada.

Vide o pessoal do Café com Bobagem, que durante anos ficou na Jovem Pan, depois na Transamérica, desapareceu da rádio (continuou com shows) e miraculosamente retornou ao dial na Rádio Educadora de Campinas. Na mesma emissora vocês podem ouvir às vinhetas dos Dedes, cuja melhor produção intitula-se Os Mano. Impagável. Aliás, dia desses vi num folheto de promoção de loja de brinquedos um bonequinho chamado Manos do rap. Mas isso fica pra outro post.

CRUZADAS

Caramba, como a safra de filmes está fraquinha, hein? Não me venham com Star Wars, please, porque eu não tenho saco para uma trilogia de SEIS filmes. A única trilogia de que gosto e sei todas as cenas de cor é Corra que a Polícia vem aí.
Enfim, fui ver Cruzada. Como historiadora, senti vergonha de mim mesma por ter esquecido muito desse conteúdo. E olha que li alguns livros sobre o assunto, como A Cruzada vista pelos árabes, de Amim Maalouf, que, se não me engano, foi um dos pesquisadores consultados pelos produtores.

Por causa disso, a única coisa histórica que posso comentar é que os muçulmanos foram retratados de forma não preconceituosa. Mas a verossimilhança da história contada, a representação feita dos lugares, das relações de corte e etc etc etc...sorry, até agora estou como o espectador leigo: boiando.

Não gostei muito do filme, porque não gosto de violência. Houve época em que adorava ver sangue! Quando eu era pequena, gostava de cutucar qualquer feridinha minha para ver aquele sangue todo jorrando....quando era adolescente (de certa forma eu ainda sou, vai), adorava alugar filme do Tarantino, cheio de molho de tomate.

Depois que tive um tio morto num assalto, não gosto de ver violência. Só porrada e seriado policial em que os mocinhos ganham no final. Porrada, em especial artes marciais, porque é uma forma corajosa de enfrentar o outro, não usando arma de fogo para acabar com a raça do sujeito.


Ah, gentem, como foi bom voltar a falar com vocês de novo! Prometo que tentarei voltar à assiduidade como nos velhos tempos.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Maio 01, 2005


HAPPY BIRTHDAY TO MEEEEEEE........

Catarinalândia em júbilo: a Rainha faz anos!! (hehehehe)

Nesse dia de domingo, feriado nacional em todo mundo, Catarina, a Grande déspota esclarecida, benevolente e loira comemora suas primaveras em altíssimo estilo. Uma grande festa para o povão de súditos e súditas marcará a celebração, reunindo a lendária Black Jack Band, Paul McCartney, R.E.M., Rush, e grande elenco.

Apresentações de renomados humoristas, como Seinfeld, Chico Anysio, Jô Soares e Nerso da Capitinga contando piadas e animando a galerinha. Malabaristas de sinal de trânsito, algodão doce e pipoca Nhac para a criançada! Vinte e quatro horas de festa, superando todas as marcas dos anos anteriores com o maior bolo de aniversário do mundo (a nível de horizontalidade) e a maior quantidade de coxinhas gordurentas registrada no livro Guinness!

Catarina agradece o apoio moral dos que lembraram e dos que não lembraram da data. Sua ligação é muito importante para nós.
Presentes, mimos e lembrancinhas poderão ser deixadas na entrada do castelo, aos cuidados do chefe de segurança, Mike Tyson.

Para os quase órfãos desse blog, um aviso: Jamanta não morreu, e nem este blog ainda...Catarinalândia ainda vive, junto com sua eterna Rainha dos plebeuzinhos!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:



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